quinta-feira, 28 de maio de 2009

Dar


DAR NÃO É FAZER AMOR
Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar

Experimente ser amado!

(Luís Fernando Veríssimo)

8 comentários:

AC Rangel disse...

Alma
Vc é realmente amada? Vc ama de verdade? Quem escolhe um texto destes só pode amar de verdade. Só sei que vc é mesmo um amor.
Beijo

O Profeta disse...

Tu es uma mulher arrebatadora...


Doce beijo

O Profeta disse...

Mil caminhos
Esta viagem sem velas nem vento
Este barco na bolina das ondas
Esta chuva miúda transborda sentimento

Amarras prendem o gesto
Arrocham um coração que bate incerto
Uma gaivota retoca as penas com espuma
Levanta voo em rumo concreto

Partilha comigo “100 Anos de Ilusão”


Mágico beijo

A Gata Christie disse...

Muito bonito e verdadeiro.

tulipa disse...

Primeiro obrigada pela visita ao meu jardim que anda meio abandonado por falta de tempo..
quanto ao seu poema, que dizer?
Amar...amar...afinal não é o amor que nos guia?
um abraço
tulipa

Cöllybry disse...

Dar sem receber em troca é dom...Belo artigo e espaço...

ölhår_Îñðîscrëtö...Å ¢µ®¡ö§¡dädë

Paulo disse...

. lind.íssimo este poema.

. que será o acrescento, há tanto em falta, na passagem dos dias.

. um beijo meu.
. uma boa semana.

Ana disse...

Dar é bom de vez em quando.. Amar é sempre bom...